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Alec Empire – The Destroyer
agosto 31, 2007

Concerteza, o melhor album do Alec Empire, ele se chama The Destroyer, e realmente é uma destruição para os nossos ouvidos!

Para quem não faz idéia de quem é o Alec Empire, ele estava por trás do Atari Teenage Riot, (leia-se na entrevista abaixo).

Destaque para as músicas Suicide (que clima é esse?!) e My Body Cannot Die (destruição musical até o osso!)

Alec Empire - The Destroyer

1. I Just Wanna Destroy…
2. Nobody Get’s Out Alive
3. Fire Bombing
4. We All Die!
5. My Body Cannot Die
6. My Face Would Crack
7. Pleasure Is Our Business (live)
8. Bang Your Head!
9. Bonus Beats
10. Intro
11. Heartbeat That Isn’t There
12. Don’t Lie, White Girl
13. The Peak
14. I Don’t Care What Happens
15. Suicide

Ano: 1996

Download do album: http://www.mediafire.com/?6mxmyh4v9md

Entrevista com Alec Empire: ALEC EMPIRE – POLÍTICA E VIOLÊNCIA
agosto 31, 2007

Alec

Alec Empire sempre foi a força motriz por trás dos Atari Teenage Riot, um coletivo de terroristas sonoros sediado em Berlim, e da Digital Hardcore Recordings, selo que mostrou ao mundo como se pode fazer música extrema com máquinas. Depois de dois anos de gestação, Alec Empire regressa solo com “Intelligence & Sacrifice”, um duplo álbum que mostra os dois lados da sua música.

Para você a inteligência é um sacrifício, na medida em que se formos inteligentes vemos que as coisas não são assim tão fáceis?

Neste caso a “inteligência” pode significar várias coisas. Da tecnologia ao QI humano, guerra psicológica, o poder do pensamento, informação. “Sacrifício” é a contradição disso tudo. Primitivo, religioso, carne humana, vítimas e rituais, fogo e crença. Apesar de serem uma contradição, estão interligados, e eu sinto-me influenciado por esses dois mundos.

Até que ponto é que “Intelligence & Sacrifice” é um disco político? Ainda acha importante falar sobre política?

Eu não divido a política da minha vida pessoal, mas nos meus discos solo uso uma linguagem diferente daquela que uso nos Atari Teenage Riot (ATR). Os ATR regem-se por um conceito mais estrito, as letras servem como demonstração das nossas idéias políticas. São muito diretas e concisas. Usamos muitas palavras de ordem como “Start The Riot” ou “Destroy 2000 Years of Culture”. Nos meus discos solo uso uma linguagem diferente. A política está presente, mas eu prefiro descrever situações de um ponto de vista pessoal. No formato solo tenho também a liberdade de falar de assuntos que não estejam ligados à política de uma maneira óbvia. Nos ATR nunca poderia ter escrito um tema como “Addicted to You”, e se, por outro lado, o tema “New World Order” poderia ser um tema dos ATR, nunca soaria desta maneira, a nível de música e de letra. Em “Intelligence & Sacrifice” penso que escolhi o caminho certo, não acho ser uma boa altura para me por com discursos inflamados.

Há uns anos atrás a juventude tinha ideais comuns, sociais e políticos, e lutava por eles. Hoje em dia, quando se olha para a maior parte dos garotos ou se ouve uma banda de nu-metal, tudo o que parecem “lutar” é contra eles próprios. Os ideais foram reduzidos a quem anda com mais garotas, quem tem tênis de determinada marca. Será que já não existem ideais para lutar?

Eu discordo disso. Eu vejo um grande movimento anti-globalização crescendo em todo o mundo. Na França, quando o Le Pen teve muitos votos, milhões de jovens sairam à rua para protestar contra o partido da Frente Nacionalista. O “mainstream” nos dá essa impressão, mas é falsa. O “mainstream” está encolhendo; cada vez mais pessoas escolhem uma via alternativa seja ela música, cinema, informação ou vida. A juventude de hoje está mais bem informada do que nos anos sessenta. A televisão e os media institucionais tentam subverter qualquer movimento emergente com imagens enganadoras. Esse tempo acabou. Eu sou um bom exemplo, porque as pessoas vêem que é possível ter sucesso mesmo sendo um radical de esquerda. Hoje em dia o conformismo está destinado apenas aos inúteis.

Existirá algo como boa ou má violência?

A violência é sempre má. Por outro lado, a arte violenta é sempre um desafio, por isso é boa e poderosa. Às vezes a auto-defesa é inevitável. É uma técnica para desenhar uma linha intermediária.

Porque você diz que consegue experimentar mais nos seus discos solo do que nos ATR?

Os ATR seguem um conceito muito restrito, a estratégia é “riot sounds produce riots”. Cada tema que escrevemos como banda tem que cumprir este objetivo, que ultrapassa qualquer objetivo pessoal de cada elemento. Por isso, nos ATR não sobra muito espaço para focar determinados assuntos que foquei no meu novo disco. Isso não quer dizer que discordo com o conceito dos ATR, quer apenas dizer que posso fazer algumas coisas diferentes no solo que não faço nos ATR. Eu preciso desses dois caminhos para me exprimir.

Você afirmou recentemente que hoje em dia nada o satisfaz. Como consegue viver assim?

Eu estou farto da cena musical de agora, mas estou sempre a descobrir música fantástica do passado. Isso me entusiasma. Absorvo muita informação e isso me motiva. A maioria das pessoas que aí andam são uns merdas que só estão interessados em fazer dinheiro deixando para trás a sua personalidade. São como ovelhas cegas. É triste, mas não posso perder o meu tempo com essas pessoas. Tenho a sorte de estar em contato com algumas exceções, que neste mundo fazem a diferença. É assim que lido com isso, filtrar o que é válido e deixar para trás o que não presta é uma regra básica de vida na sociedade contemporânea.

De onde veio a inspiração para a escrita de “Intelligence & Sacrifice”, a nível de música e de letras?

Neste disco não fui buscar influências a nada em particular, desta vez foi muito diferente. Senti que tinha de fazer passar o meu ponto de vista. Eu tive uma visão e sabia que era a única pessoa que a podia tornar realidade. Só estava à espera de um impulso. Há muitos anos que me queria definir com rigor. Como sabia que estava lixado e queimado, precisava de me pressionar a mim próprio até ao limite, por forma a conseguir um som mais poderoso e profundo.

No novo álbum há um tema chamado “Two Turntables and a Moog”. É alguma espécie de piada ao refrão “Where It`s At” de Beck ou a “Tree MC’s and One DJ” dos Beastie Boys?

Eu escolhi esse título porque esse tema foi feito em “two turntables and a Moog”… Eu tenho “testpressings” com ritmos – que mandei fazer para quando atuo como DJ – que misturei em estúdo com o som de um Moog. Não tem nada a ver com o Beck ou os Beastie Boys. No entanto é o único tema do álbum que pode ser visto no contexto da música alternativa americana, dentro da cena retro funk dos anos setenta.

Como serão os concertos da turnê de “Intelligence & Sacrifice”?

A formação da minha banda está sempre em aberto, o que possibilita a mudança de elementos de turnê para turnê, mantendo sempre os temas em evolução. Cada músico dá a sua contribuição pessoal a nível de idéias, o que evita a monotonia das turnês. Fizemos alguns concertos de apresentação de “Intelligence & Sacrifice” no Japão e a formação incluía Charlie Clouser (Nine Inch Nails) nas teclas, Masami Akita (Merzbow) na bateria, Gabe Serbian (The Locust) e Nic Endo, nos samplers. A Nic Endo controla toda a parte técnica do concerto. Todos os instrumentos passam pela sua mesa de mistura de 32 canais colocada em cima do palco, para que possa passar o som por toda a espécie de distorção e filtros, antes de chegar aos ouvidos do público. É uma nova maneira de misturar a música eletrônica com instrumentos convencionais e assim conseguimos criar um som ainda mais poderoso. Recentemente adicionamos um guitarrista à formação e esperamos fazer de cada concerto um momento especial.

A foto que aparece na capa do novo álbum foi tirada por Kevin Cummins – um conhecido fotógrafo de rock -, porque o escolheu para esse trabalho?

Eu queria que a capa do disco tivesse uma imagem forte da minha cara. Estava cansado de ver as bandas de metal cheias de máscaras e tatuagens e toda essa indumentária, que supostamente devia criar uma imagem, mas que lhes retira a personalidade. Por isso recorri à maneira mais purista, usando apenas a minha cara. Pelo trabalho do Kevin Cummins que já conhecia, achei que era a pessoa certa para o trabalho.

Hoje em dia, o que podemos considerar música extrema? Houve um período em que o metal em geral, e o black metal em particular, eram considerados a música mais extrema. O mesmo aconteceu com a música experimental. Agora, cada vez mais somos confrontados com a chamada “música extrema”…

Nunca pensei na música como sendo “extrema”, eu ouço aquilo que gosto e nunca penso “huhh, that’s so extreme”, ao mesmo tempo. Eu quero receber os impulsos da música, quero mais energia. O resto do mundo move-se um pouco mais lento que a música, mas acabará por acompanhá-la mais cedo ou mais tarde, porque essa é a direção a seguir. A música e o som devem ser uma experiência física e não apenas papel de parede. Se é apenas a música de papel de parede do Mc Donald’s, as pessoas não vão gostar… É por isso que as vendas dos discos estão em baixa. O “noise” é o futuro da música porque combina toda a música e os seus elementos debaixo do mesmo teto!

Alguma vez pensou em vez de (ou ao mesmo tempo) gravar discos escrever um livro (ou artigos) ou dirigir um filme para expressar as suas ideias ou sentimentos?

Comecei a escrever um livro sobre a Digital Hardcore e sobre a minha vida. Sempre estive muito envolvido na realização dos vídeos que já fiz, por isso não seria de todo descabido dirigir um filme. O cinema é uma forma artística que, na minha opinião, pode ser levado muito longe, mas nos próximos anos só me devo concentrar na música.

A editora Digital Hardcore Recordings (DHR) ainda se rege pelos mesmos princípios e ideais de quando a iniciou?

No final de 2000 reestruturei o selo. Nos primeiros seis anos do selo, me sentia muito ligado à cena de Berlim, e editei na DHR praticamente todas as bandas que produzi. Em 2000 me apercebi de que a quantidade tinha se sobreposto à qualidade, por isso alterei a sua estrutura para poder me concentrar em lançamentos mais importantes. A DHR está voltando à carga e nos próximos tempos iremos lançar alguns dos melhores discos até agora.

Dentre essas edições encontra-se um disco com Merzbow e uma compilação. O que nos pode dizer sobre estas duas edições?

O álbum com Merzbow é a gravação de um concerto que demos em conjunto no CBGB’s, de Nova Iorque, em 1998. É uma gravação muito intensa, com o Masami Akita produzindo sons com o seu equipamento analógico de ruído e eu nas picapes, usando alguns dos meus beats e sons. Conheci o Masami Akita em 96, quando toquei solo pela primeira vez no Japão, um ano antes dos ATR atuarem lá. Nessa noite fiz DJ, enquanto que o cartaz de concertos era composto pelos Merzbow, Violent Onsen Geisha e Anarchy 7. Há anos que estou atento à cena noise japonesa e continua a ser a cena mais criativa e avançada do mundo. Depois disso fizemos bastantes concertos juntos em Berlim, Nova York e no Japão. Para mim, ele é um dos músicos mais importantes do nosso tempo. A compilação chama-se “Don’t Fuck With Us” e será um CD triplo com 35 bandas americanas de hardcore digital. Será uma das melhores edições de sempre da editora.

O futuro dos Atari Teenage Riot parece ainda estar por definir. O que nos pode dizer sobre isso?

Eu ainda não me consegui distanciar da morte do Carl (Crack) para fazer “planos” para os ATR. Ainda bem que há dois anos, quando os ATR fizeram um “intervalo”, decidi começar a trabalhar no projeto do novo disco e tocar ao vivo a solo. O nosso plano era prepararmos um disco novo para que quando o Carl regressasse da sua terapia pudesse gravar a sua parte. Basicamente, temos um disco quase pronto mas não sabemos como podemos cobrir o espaço deixado pelo Carl depois da sua morte. É impossível. Gostaria de poder dar uma resposta mais concreta, mas não posso. Sei que é importante para os nossos fãs saberem o que se está se passando, mas espero que compreendam a nossa situação.

(Mondo Bizarre # 11)

Link: Digital Hardcore (www.digitalhardcore.com).

Fonte: Mondo Bizarre (www.mondobizarre.com).

Control C Control V de: http://www.rizoma.net/interna.php?id=161&secao=esquizofonia